
Bruna Surfistinha conta a história da
jovem Raquel (
Deborah Secco),
filha de classe média paulistana que um dia sai de casa e toma uma decisão surpreendente: virar garota de programa. Em pouco tempo, Raquel se transforma em
Bruna Surfistinha e passa a ser uma celebridade nacional, contando sua rotina em um blog na
internet.
Aos 17 anos, Raquel se sente desencaixada na escola, onde é ridicularizada pelos colegas, e em casa, onde vive em conflito com a família. Um dia, a menina de classe média toma uma decisão surpreendente: virar garota de programa.
Ela foge de casa e vai viver num privê, onde as garotas moram e recebem clientes. Adota o nome de Bruna e fica amiga daquelas mulheres, como a intempestiva Janine. Ali conhece Huldson, um cliente que vai se revelar especial.
A fama nacional vem quando, com o nome de Bruna Surfistinha, passa a contar num blog suas aventuras sexuais e afetivas como garota de programa.
Entrevista com Deborah Secco
Em entrevista disponibilizada ao Portal Bagarai pela Imagem Filmes, Deborah Secco conta tudo sobre o filme e sua atuação, confira:
- Como foi viver essa personagem?
Foi a maior entrega que eu já tive a um trabalho. Precisei entender os motivos
dela, aquela personalidade solitária, mergulhar naquele universo de imensa soli-dão, que é tão distante do meu. Eu sou superligada à família, tinha que entender
o que é ser sozinha. Foram três meses longe de casa, morando em São Paulo, e
digo que quem ia para o set já era a Bruna, não a Deborah. Nesse período, eu
pouco pensava como Deborah, já pensava como Bruna. O fato de estar longe de
casa, falar pouco com a minha família, voltar sozinha para o hotel, tudo isso foi
fundamental para esse trabalho.
- Como você se preparou?
Fizemos uma preparação maravilhosa com o Sergio Penna (preparador de elenco em filmes como Bicho de Sete Cabeças, Carandiru e Lula, O Filho do Brasil). Depois, visitamos um desses lugares onde as meninas trabalham. A gente ficou no lugar onde elas moram e observava quando iam ou voltavam do programa. O que mais me chamou a atenção foi o olhar anestesiado delas, que é uma
forma de aguentar aquilo tudo ali. A personagem é de poucas palavras, então a
mudança é muito interna, muito no olhar dela também.
- O que foi mais difícil no filme?
O momento mais difícil foi quando vi o plano de filmagem e descobri que iria filmar várias fases diferentes num mesmo dia. Quase entrei em pânico. Porque são três personagens numa só, desde a Raquel do início, mais ingênua e desajeitada, até a última fase da Bruna. São energias completamente diferentes e tem as mudanças físicas, que foram todas trabalhadas em cima da postura, nessa preparação. Eu tinha que aparecer mais gordinha, menos gordinha, tudo só com o trabalho postural. No fim do dia, meu corpo chegava a doer, doía o ombro, a cintura.
- Você engordou um pouco para o papel.
Engordei oito quilos, mas não tinha a preocupação de estar com o corpo incrível. Ao contrário, nas cenas em que ela trabalha no privê, por exemplo, tinha que ter celulite, precisava até dar uma estragadinha (risos). Tenho o corpo que o personagem pede, sem problemas com vaidade.
- Teve receio de aceitar o convite para o filme?
No início, ainda não conhecia o Baldini e tivemos uma reunião muito séria sobre como ele iria filmar essa história. Conversamos sobre o roteiro, ele mostrou storyboard e vimos que tudo o que ele pensava, eu pensava também. Então, tivemos uma parceria de total confiança, eu sabia que, ligando a câmera, o que ele capturasse ia ser muito bom. E ao longo de todo o processo sempre me chamavam para ver o resultado, vi que me queriam confortável com o filme.
- Acredita que muita gente vá ao cinema para ver você em cenas sensuais?
Acho que muita gente vai primeiro pela história da Raquel, pelo sucesso do livro. E também pela sensualidade, pela curiosidade sobre as cenas de sexo. Mas vão encontrar um filme diferente do que esperam, muito mais profundo. Mostrei o filme para minha mãe e no fim ela disse que não conseguia avaliar se as cenas de sexo estavam pesadas, porque ficou tão envolvida com a história que se desligou disso. Foi o maior elogio que o filme podia receber
- O filme é um drama feminino, não?
Acho que é um filme para mulheres, é um filme que fala da vida e dos sentimentos de uma menina como qualquer outra. Porque é muito do universo feminino essa carência absurda, essa necessidade de ser amada, de ser desejada. Toda mulher já se sentiu horrorosa, já se sentiu ‘inamável’, fez bobagens para ser querida, coisas patéticas de que depois se arrependeu. Homem não tem essa carência, é diferente.
- É difícil fazer cenas de sexo?
As cenas de amor são sempre muito preparadas, muito coreografadas. É ‘1, 2, 3 vira’, ‘1, 2, 3, respira’ (risos), não têm nada de românticas. Na primeira transa em que a Bruna sente prazer, por exemplo, tem um close do meu rosto e o Juliano (Cazarré, que vive o Gustavo) nem estava lá na hora. Depois edita, entra trilha sonora e a gente faz acreditar.
- Acha que amadureceu com esse trabalho?
Saio desse filme com outro pensamento sobre as pessoas. Aprendi a não julgar, a tentar entender que as circunstâncias da vida levam você a ser o que é. Tem uma frase no filme de que eu gosto muito: “As pessoas são como elas conse-guem ser”. É isso, no meio de tantas loucuras que a vida apresenta, você é o melhor que pode ser. A gente não tem que julgar essas meninas porque não fazem nada de mal a ninguém, só a elas mesmas. A elas, fazem um mal imenso. São muitas dores, uma vida inimaginável.
Sobre Deborah Secco
Deborah Secco começou a trabalhar aos 8 anos, em comerciais de TV. Seu primeiro papel de destaque foi no seriado Confissões de Adolescente, na TV Cultura. Em novelas, coleciona personagens de sucesso, como a Marina de Suave Veneno; Íris de Laços de Família; Cecília de A Padroeira; Larah de O Beijo do Vampiro; Darlene de Celebridade; Sol de América e Maria do Céu, de A Favorita, além da participação em Paraíso Tropical, entre outros trabalhos. No cinema, fez os filmes Meu Tio Matou um Cara; Casseta e Planeta – A Taça do Mundo é Nossa; Xuxa e os Duendes 2 – No Caminho das Fadas; A Cartomante e Caramuru – A invenção do Brasil.
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