Elizabeth Taylor, a deusa do cinema com olhos de cor violeta, mulher sensual, com uma vida pessoal tempestuosa, fama duradoura e imenso glamour – que fez dela uma das últimas estrelas do cinema clássico e um modelo para as celebridades modernas, morreu hoje, dia 23 de março, aos 79 anos.
Em Cleópatra - teve um papel crucial
Estava cercada por seus quatro filhos, quando morreu de insuficiência cardíaca congestiva, internada há alguns dias em um centro médico.
“Minha mãe era uma mulher extraordinária que viveu a vida ao máximo, com grande paixão, humor e amor”, disse seu filho, Michael Wilding.
“Nós sabemos, muito simplesmente, que o mundo tornou-se um lugar melhor por minha mãe ter vivido nele. O legado dela nunca vai se apagar, o seu espírito estará sempre conosco, e seu amor viverá para sempre em nossos corações.”
“Acabamos de perder um gigante de Hollywood”, disse Elton John, amigo de longa data de Elizabeth Taylor. “E o mais importante, nós perdemos um ser humano incrível.”
Elizabeth Taylor foi abençoada e amaldiçoada por várias atrizes. Ela tinha graça extraordinária, riqueza e beleza voluptuosa, e ganhou três Oscars, incluindo um especial por seu trabalho humanitário.
Taylor era leal com seus amigos e uma defensora dos gays em Hollywood – isso ainda quando a Aids era nova para a indústria e para além dela. Mas ela foi atingida por problemas de saúde, seus romances (oito casamentos, sete maridos) e por uma tragédia pessoal.
“Eu acho que estou me tornando fatalista”, disse ela em 1989. “Muito já aconteceu na minha vida para eu não ser fatalista.”
Seus mais de 50 filmes incluem inesquecíveis retratos da inocência e da decadência. O histórico épico Cleópatra foi um dos maiores fiascos de Hollywood nas telas e um marco fora dela. Foi também o ponto de encontro de Elizabeth e Richard Burton.
Oscar por "Quem tem medo de Virgínia Woolf".
“Ela tinha um senso de humor que era muito indecente – nem mesmo eu estava preparada para tanto e dizia, “realmente? Isso saiu da sua boca?” disse Whoopi Goldberg, lembrando que Taylor deu-lhe conselhos sobre sua carreira em Hollywood. “Ela não era apenas uma mulher magnífica. Ela era uma grande e boa amiga.”
Ela foi uma estrela desde criança que cresceu e envelheceu sempre adorada, chocando e fascinando o público. Ela chegou em Hollywood quando o sistema dos estúdios era ainda extremamente rígido e controlava a vida e a imagem dos atores. Mas ela não se intimidou e teve mais casamentos do que qualquer jornalista poderia explicar e continuou casando até que deixou de ser necessária uma explicação. Ela foi a grande sobrevivente da indústria do cinema, e entre os primeiros a chegar a essa categoria especial de celebridades – ser famoso por ser famoso – em que seu trabalho era inseparável da fofoca que girava em torno dela.
A atriz nasceu em Londres. Tornou-se uma estrela aos 12 anos, uma noiva e uma divorciada aos 18, uma estrela ainda maior aos 19 anos e viúva aos 26. Ela foi querida e mártir depois de ser insultada por roubar Eddie Fisher de Debbie Reynolds, e em seguida, para acabar com Fisher e ir para a cama com Richard Burton, com quem teve uma relação de paixão e turbulência épica, que durou por dois casamentos e incontáveis tentativas de conciliações.
Doenças sempre a acompanharam. Submeteu-se a pelo menos 20 grandes cirurgias e quase morreu de uma pneumonia em 1990. Entre 1994 e 1995, tinha tantas dores nas articulações do quadril que teve passar por uma operação, e em fevereiro de 1997 se submeteu a uma cirurgia para remover um tumor cerebral benigno. Em 1983, ela reconheceu um vício – há 35 anos fazia uso de pílulas para dormir e analgésicos. Elizabeth foi tratada por problemas de abuso de álcool e drogas na clínica Betty Ford, em Rancho Mirage, na Califórnia.
Seus problemas ligados aos de seus colegas aprofundou a compaixão do público. Sua luta na defesa da pesquisa sobre a Aids e por outras causas lhe valeu um Oscar especial, o Prêmio Humanitário Jean Hersholt, em 1993. Aceitou, com uma longa ovação, e declarou: “Quero conclamá-los para mergulhar no fundo do seu ser – para provar que somos uma raça humana, para provar que nosso amor supera a nossa necessidade de ódio, que a nossa compaixão é mais atraente do que a nossa necessidade de culpa.”
A Fundação Americana para a Pesquisa da Aids, da qual a atriz foi uma defensora de longa data, deu hoje uma declaração dizendo que ela era “foi uma das primeiras a falar em nome das pessoas que vivem com o HIV quando os outros reagiram muitas vezes com medo e hostilidade.”
Em "De repente, o último verão"
Elizabeth Taylor estava com aquela sua beleza arrebatadora quando fez o filme “O Pai da Noiva”, em 1950, e se tornou uma artista respeitada com o filme “Femme Fatale”.
Pelo resto da década de 1950 e em 1960, ela e Marilyn Monroe foram os grandes símbolos sexuais de Hollywood. Isso durou para Taylor, mas Marilyn Monroe morreu jovem – foi uma questão de sorte e força. Elizabeth Taylor viveu o que queria e não permitiu que ninguém a definisse, senão ela mesma.
“Eu não aprovo inteiramente algumas das coisas que eu fiz… Mas eu sou eu. Deus sabe – eu sou eu”, disse Taylor quando completou 50 anos.
Ela teve uma vida notável e exaustiva – tanto pessoal quanto profissional. Seu casamento com Michael Todd terminou tragicamente, quando o produtor morreu em um acidente de avião em 1958.
Elizabeth Rosemond Taylor nasceu em Londres em 27 de fevereiro de 1932, filha de Francis Taylor, um negociante de arte, e Sara Sothern, uma atriz de teatro americano. Aos três anos, já no balé, dançou para as princesas britânicas Elizabeth (futura rainha) e Margaret Rose, no Hipódromo de Londres. Aos quatro anos, ganhou um cavalo selvagem que ela aprendeu a montar e a andar habilmente.
No início da Segunda Guerra Mundial, os Taylors mudaram-se para os Estados Unidos. Francis Taylor abriu uma galeria em Beverly Hills e, em 1942, sua filha fez sua estréia no cinema com um pequeno papel em uma comédia.
Em todas as fotos, sempre ostenta uma beleza fascinante.
“Eu tenho as emoções de uma criança no corpo de uma mulher”, disse uma vez. “Eu estava apressada em ser mulher para o cinema. Isso me levou a longos momentos de tristeza e dúvida.”
Os casamentos de Elizabeth Taylor:
- Ela se casou com J. Conrad Hilton, filho de um magnata da hotelaria, em maio de 1950 aos 18 anos. O casamento acabou em divórcio em dezembro.
- Quando ela se casou com o ator britânico Michael Wilding, em fevereiro de 1952, ele estava com 39 anos e ela com 19. Eles tiveram dois filhos, Michael Jr. e Christopher Edward. Esse casamento durou quatro anos.
- Ela se casou com o produtor Michael Todd, também 20 anos mais velho que ela, em 1957. Eles tiveram uma filha, Elizabeth Francis. Todd foi morto em um acidente de avião em 1958.
- O padrinho no casamento de Taylor foi Todd Fisher. Ele deixou a esposa Debbie Reynolds, também atriz, para se casar com Elizabeht Taylor em 1959. Ela se converteu ao judaísmo antes do casamento.
- Taylor e Fisher se mudaram para Londres, onde ela faria Cleópatra. Conheceu Burton, que também já era casado. Dessa união nasceu sua quarta filha, Maria.
- Depois que seu segundo casamento com Burton terminou, ela se casou com John Warner, ex-secretário da Marinha, em dezembro de 1976. Warner foi eleito senador dos EUA, pelo estado da Virgínia, em 1978. Eles se divorciaram em 1982.
- Em outubro de 1991, casou-se com Larry Fortensky, um motorista de caminhão e operário da construção civil que conheceu quando ambos estavam em tratamento no Betty Ford Center, em 1988. Ele tinha 20 anos a menos que ela. O casamento, realizado no rancho de Michael Jackson, foi uma espécie de circo para a mídia. Em agosto de 1995, ela e Fortensky anunciaram a separação – ela pediu o divórcio e a separação se tornou definitiva em 1997.
“Eu fui ensinada pelos meus pais que, se você se apaixonar, se você quiser ter um caso de amor, você precisa se casar”, comentou uma vez. “Eu acho que sou muito antiquada”.
Ela recebeu o Legião de Honra, prêmio de maior prestígio da França, em 1987, por seus esforços em apoiar a pesquisa sobre a AIDS. Em maio de 2000, a Rainha Elizabeth II concedeu-lhe o título de dama – o equivalente feminino de cavaleiro – por seus serviços à indústria do entretenimento e à caridade.
Em 1993, ela ganhou um prêmio do American Film Institute. Em 1999, uma pesquisa do Instituto de lendas do cinema classificou-a entre as sete melhores atrizes.
Taylor foi alvo de inúmeras biografias não autorizadas.
“Eu gosto da conexão que tenho com os fãs e pessoas que foram favoráveis a mim”, disse Taylor em uma entrevista de 2011 para a revista Harper’s Bazaar. “E eu amo a idéia de retorno real – é uma via de mão dupla, que é muito, muito gratificante. Mas às vezes eu acho que sei muito sobre os nossos ídolos e que estraga o sonho.”
Ela morre, deixando as filhas Maria Burton e Liza Todd Carson-Tivey, os filhos, Christopher e Michael Wilding, 10 netos e quatro bisnetos.







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